“Estudei tanto para trabalhar com vassoura?”
Foi essa a pergunta que Urubatan Klink se fez quando ouviu que havia uma oportunidade para trabalhar com sorgo. Naquele momento, sua única referência era o sorgo-vassoura, matéria-prima usada na fabricação do tradicional utensílio de varrer o chão.
Era o final dos anos 80. Recém-formado em Agronomia pela Esalq, apaixonado por pesquisa e diante de um mercado difícil, ele decidiu encarar o desconhecido e aprender sobre aquela cultura.
O que não imaginava é que aquele primeiro encontro, quase por acaso, seria o começo de uma relação que atravessaria quatro décadas de sua vida profissional.
Klink acompanhou o sorgo sair do verão, encontrar espaço na segunda safra e avançar pelo Cerrado. Viu o melhoramento genético transformar os híbridos, a produtividade crescer e a indústria de proteína animal descobrir que aquele pequeno grão poderia significar eficiência e redução de custos.
Agora, ele acompanha uma nova transformação.
O etanol entrou nessa história. A exportação ganhou espaço. Alimentação humana e mercado pet aparecem como novas fronteiras. E uma cultura conhecida pela capacidade de produzir em condições desafiadoras começa a ser enxergada com outros olhos.
Para Klink, o Brasil pode chegar a algo entre 8 e 10 milhões de hectares de sorgo nos próximos 20 anos. E, em ambientes de alto potencial, ele coloca uma meta ainda mais provocadora sobre a mesa: 200 sacos por hectare.
Entre os desafios, aponta um que está fora da lavoura: fazer a informação chegar.
Nesta conversa, experiência e ciência se encontram para explicar como uma cultura que permaneceu durante tanto tempo longe dos holofotes começa a ocupar um novo lugar no agro brasileiro.
E ninguém melhor para contar essa transformação do que alguém que acompanhou de perto quatro décadas dessa história — e continua trabalhando para escrever os próximos capítulos do sorgo brasileiro.