O Brasil aprendeu a produzir no Cerrado, transformou ciência em produtividade e tornou-se uma potência agrícola mundial. Mas essa história não foi construída apenas dentro da porteira. Por trás de cada salto de produtividade, de cada nova genética e de cada tecnologia que chega ao campo, existe pesquisa, investimento e uma base fundamental para tudo isso avançar: segurança jurídica. E é justamente desse lugar, onde as regras encontram a inovação, que vem a nossa convidada de hoje.
Catharina Pires é advogada, cientista política e diretora executiva da CropLife Brasil. Ela não nasceu no agro. Como gosta de dizer, caiu de paraquedas nesse universo. E o que surgiu quase por acaso virou escolha, carreira e trajetória. São quase 3 décadas acompanhando de perto uma transformação que levou Catharina a conhecer um Brasil que ela própria diz desconhecer: o Brasil do interior, da tecnologia e de uma agricultura que ganhou escala, produtividade e relevância mundial.
Agora, novos movimentos começam a mexer novamente nesse tabuleiro.
A edição gênica abre possibilidades para a genética vegetal. Empresas chinesas de biotecnologia chegam ao Brasil dispostas a competir. E, ao mesmo tempo, o país asiático sinaliza mudanças na sua estratégia para a soja.
Enquanto a tecnologia acelera, algumas regras precisam acompanhar esse movimento.
É aí que entram discussões como a modernização da Lei de Proteção de Cultivares, a proteção da propriedade intelectual, o combate à pirataria de sementes e um desafio que ultrapassa nossas fronteiras: tecnologias que podem ser aprovadas aqui em pouco mais de um ano, chegam a esperar cinco, seis ou até sete anos pela aprovação de países que compram nossa produção.
É ciência, mercado, regulação e competitividade dividindo o mesmo campo. E tudo isso nos leva a uma pergunta que a própria Catharina se faz: "como será o agro brasileiro daqui a 15 ou 20 anos?" Ela ainda não tem essa resposta. Mas conhece de perto algumas das decisões que podem ajudar a construí-la. E é sobre elas que a gente conversa a partir de agora.