E se o futuro do agro não estivesse só na lavoura… mas também sendo produzido dentro dela?
Num mundo de incertezas, conflitos e insumos cada vez mais caros, uma pergunta é inevitável: até quando o Brasil vai depender de fora pra produzir aqui dentro?
Foi a partir dessa inquietação que o economista João Marcelo Abbud assinou, junto com outro pesquisador, um artigo que questiona por que o uso de bioinsumos no Brasil ainda não virou prática dominante. A análise mostra, com dados, que mesmo crescendo rápido, eles ainda ocupam uma fatia pequena do mercado e seguem vistos como “alternativos”.
Especialista em financiamento climático no Instituto E+ Transição Energética, Abbud conecta economia, solo e geopolítica para defender uma ideia simples e poderosa: o agricultor brasileiro pode deixar de ser apenas comprador de insumo — e passar a ser também produtor. Ele afirma que o investimento em biofábricas e a produção “on farm” não são só tendências… são caminhos concretos para reduzir a dependência de fertilizantes importados, melhorar a fitossanidade do solo e ainda criar novas fontes de renda dentro da porteira.
Mas, segundo nosso convidado, esse avanço ainda esbarra em barreiras: regulação fragmentada, excesso de normas pensadas pro modelo tradicional, falta de assistência técnica, pouco acesso a crédito e informação que demora pra chegar na ponta.
Ao mesmo tempo, o Brasil tem algo que poucos países têm: biodiversidade gigante, água em abundância, matriz energética limpa e um agro acostumado a incorporar tecnologia.
Nas projeções do nosso convidado, o cenário pode seguir como está — com os bioinsumos mantendo uma pequena fatia do mercado — ou com um salto que os leve para perto de 40% de participação, numa convivência equilibrada com os químicos. Para isso, será preciso coordenação entre pesquisa, política pública, crédito e capacitação no campo.
Da crise no estreito de Ormuz ao preço do fertilizante na próxima safra, este episódio traduz o que está no artigo “Bioinsumos para o Brasil” para a realidade de quem planta, colhe e paga a conta.
O diagnóstico está feito. O desafio, agora, é ganhar escala.

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