Existe um espaço do agro que quase nunca aparece nas fotos. Não é o curral. Não é o pasto. Não é a colheita. É o ambiente onde decisões são tomadas — em Brasília, nos governos estaduais, nas assembleias, nas câmaras, nos conselhos — e que, cedo ou tarde, atravessam a porteira de quem produz.
Antes mesmo de completar 30 anos de idade, Stéphanie Ferreira já começava a circular por esses ambientes. Quarta geração de uma família de pecuaristas em Três Lagoas (MS), engenheira agrônoma formada, consultora em bovinocultura, ela carrega uma combinação rara: raiz prática de fazenda, base técnica sólida e vivência institucional. Não olha o setor apenas pela lente da tradição — mas também pela lógica de gestão, mercado e ambiente regulatório.
Do CNA Jovem às comissões e entidades de classe, passou a acompanhar de perto discussões que moldam o cenário da pecuária brasileira. Projetos de lei, normas ambientais, regras sanitárias, políticas de crédito — temas que parecem distantes da rotina do curral, mas que impactam diretamente a viabilidade do negócio rural.
Num momento em que o agro é pressionado, questionado e frequentemente reduzido a simplificações, ocupar esses espaços exige preparo, serenidade e capacidade de diálogo.
Neste episódio, a conversa vai além da biografia. A gente fala sobre o peso de representar o setor ainda jovem, sobre os bastidores onde se constrói — ou se trava — o ambiente de negócios e sobre o papel de uma nova geração que entende que produzir bem também passa por participar das decisões.