É uma das mais notáveis pianistas do mundo e uma das figuras mais relevantes da cultura portuguesa. Em 1999 criou o Centro Cultural de Belgais, em Escalos de Baixo, no distrito de Castelo Branco, um laboratório de experiência das artes e de aprendizagem musical, que enfrentou dificuldades e acabou por durar só uma década. Em 2019, a pianista foi agraciada com a Medalha de Mérito Cultural e a Grã-Cruz da Ordem do Infante. Em 1989, Maria João Pires foi a terceira figura distinguida pelo Expresso com o Prémio Pessoa. Acaba de celebrar 80 anos, continua a dar concertos e não sabe quando vai parar. Porque curiosidade não lhe falta e a música e a vida ainda têm mistérios para deslindar. Ouçam-na aqui nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça

Vera Iaconelli (parte 2): “Não sei disputar. Não me interessa a competição. Destaco-me no que faço, mas quero é pertencer. Evito quem atua na inveja. Então faço uma seleção radical, e até sofrida”
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Vera Iaconelli (parte 1): “Interesso-me pelo inconsciente, pela bizarrice, pelo disruptivo, pelos fios soltos e pela falha. É onde aparece a verdade”
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Marco Martins (2ª parte): “Gosto da falha, desde que não venha da preguiça. Há grandes obras de arte que nascem de falhas. No cinema diz-se ‘o erro belo’”
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