Cumprem-se hoje 100 anos sobre o golpe de Estado que mergulhou Portugal na mais longa ditadura da Europa Ocidental. Este poderia ser um episódio sobre o 28 de maio de 1926, mas Rui Tavares rebela-se e leva-nos antes a um outro 28 de maio, o de 1911, data das primeiras eleições da República portuguesa e o dia em que, pela primeira vez, o direito de voto foi exercido por uma mulher em Portugal: Carolina Beatriz Ângelo.
Médica, viúva, mãe, e pioneira, Carolina Beatriz desafiou o seu tempo e abriu caminho na luta pela igualdade entre homens e mulheres ao encontrar uma brecha na lei e reclamar o direito ao voto.
Seguimos os seus passos nesse dia, numa assembleia de voto em Arroios, em Lisboa; revisitamos os acontecimentos que o antecederam; e percorremos o seu notável trajecto biográfico. Cruzamo-nos também com as mulheres que, com Carolina, fizeram emergir o feminismo em Portugal.
Nos 15 anos que separam estes dois 28 de maio, joga-se mais do que uma mudança de regime. Joga-se a possibilidade de uma cidadania plena — que, por um instante, pareceu ao alcance das mãos.

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