No verão de 1936, França assistiu a uma transformação inédita. Com a aprovação de duas semanas de férias pagas pelo governo da Frente Popular, milhões de trabalhadores passaram a poder fazer algo até então reservado a uma minoria: descansar sem perder salário. Mas esta conquista social desencadeou uma guerra cultural.
Além do entusiasmo por parte dos trabalhadores, a medida provocou também uma forte reação. Parte da imprensa conservadora e de extrema-direita ridicularizou os novos veraneantes, anunciou o declínio das praias e dos costumes, apresentando as férias pagas como uma ameaça à ordem social.
Neste último episódio antes das férias de Tempo ao Tempo, Rui Tavares conta a história das férias, desde as pausas religiosas e o lazer aristocrático até ao nascimento do trabalho industrial, que separou claramente o tempo de trabalho do tempo de descanso.
As férias pagas, que em Portugal só seriam instituídas depois do 25 de Abril, tornaram-se uma das grandes conquistas sociais do século XX: o direito de, por alguns dias, deixar de contar o tempo.

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