Farinha, água e ovos. Foi com a sogra que ele aprendeu a transformar esses ingredientes em massa de macarrão. E descobriu que, enquanto as mãos trabalham, a cabeça descansa.
Enxergar a beleza e o prazer das coisas simples é uma das características do doutor Francisco Carlos Krzyzanowski, o Chico, para os amigos.
A relação com a agricultura começou ainda menino, no sítio do avô, no interior de São Paulo. Entre a garapa e a moenda movida por animais, ele acompanhava a produção de cachaça e começava a se encantar pelo trabalho no campo.
Na adolescência, trabalhou no rádio. Leu notícias, apresentou músicas e chegou a pensar em ser jornalista. A família apostava na medicina. Ele escolheu a Agronomia. E encontrou nessa área uma convicção que carrega até hoje: trabalhar com semente é trabalhar com a vida.
A carreira dedicada à pesquisa inclui estudos fora do Brasil e 39 anos de Embrapa. Nesse caminho, algumas lições ficaram para além dos laboratórios. Como a do professor que interrompia a aula para que o estudante brasileiro, ainda com dificuldades no inglês, pudesse virar a fita do gravador. Um gesto de respeito que nunca esqueceu — e que ajuda a entender o cuidado que ele defende na relação com colegas e agricultores.
Nesta conversa, a ciência está nos detalhes: na origem da semente, na proteção que sua cobertura oferece, numa pequena fissura que pode comprometer seu desempenho no campo… E está também na disposição de reconhecer que ainda há muito a aprender.
O doutor Francisco se aposentou aos 76 anos, mas afirma - e comprova - que não nasceu para isso. Continua pesquisando, estudando e dividindo conhecimento.
É com ele o nosso bate-papo. Uma conversa sobre ciência, sobre o que aprendemos com as pessoas e sobre um homem que encontrou nas sementes o trabalho de uma vida.