Neste episódio vamos ser desafiados a pensar sobre o medo como condição política do nosso tempo, enquanto assistimos à ascensão de lideranças transgressivas que redefinem as fronteiras do que é possível dizer e fazer no espaço público. Michel Eltchaninoff, filósofo francês e chefe de redação da “Philosophie Magazine”, afirma que leu todos os discursos de Vladimir Putin e que isso o levou a compreender algo perturbador: existe uma visão de mundo coerente por detrás do que muitos preferem considerar simples loucura.
Fala-nos da “sideração”, um estado de bloqueio, de paralisia, em que ficamos quando confrontados com o excesso de provocações contraditórias que caracterizam o estilo de Trump e de Putin. Como nos diz Michel, “a provocação é uma estratégia da sideração.” Não é caos, é método. E o método funciona precisamente porque nos impede de pensar e de agir. Embora o panorama seja sombrio, Michel, inspirado na tradição filosófica que vai de Heráclito a Hannah Arendt, insiste que é possível e necessário resistir. Não através de grandes gestos, mas através da ação mínima, do pensamento claro, da recusa em deixar que a inquietação se transforme em submissão. A razão, diz-nos, não é um luxo. É uma forma de resistência.
Michel conclui que vivemos num mundo de contingência radical, onde a imprevisibilidade não é exceção, mas regra. Apela: a vida, como uma novela, é imprevisível. E é precisamente essa imprevisibilidade que nos obriga a permanecer acordados, atentos e, acima de tudo, livres para pensar.
* A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa

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