A morte é um mal a evitar ou a condição que dá sentido à vida? Neste episódio gravado no ESPANTO — Festival Internacional de Filosofia em 2025, Marta Faustino leva-nos numa viagem por duas das mais influentes perspetivas filosóficas sobre a morte, colocando em diálogo Epicuro e Martin Heidegger. Embora ambos se debrucem sobre a mesma problemática, as suas respostas não podiam ser mais distintas.
Para Epicuro, a morte é uma fonte de sofrimento apenas porque a tememos injustificadamente: “A morte não é um bem nem é um mal, é um acontecimento neutro” que nada significa para quem morre. Se não nos inquieta o facto de nada termos sido antes de nascer, também não deveria angustiar-nos o facto de deixarmos de existir depois da morte. Libertar-nos desse medo é, para Epicuro, a condição para viver serenamente e aproveitar a vida com tranquilidade — carpe diem.
Heidegger, pelo contrário, não procura dissipar a consciência da morte, mas aprofundá-la. A morte não é apenas um acontecimento biológico, mas a possibilidade mais própria e extrema da existência: “a morte é a possibilidade da impossibilidade de todas as outras possibilidades.” Ao confrontarmo-nos com a nossa finitude, rompemos com a inautenticidade da vida quotidiana — em que a morte parece acontecer sempre aos outros, nunca a nós — e abrimos espaço para uma existência singular e autêntica (Dasein).
No fundo, este episódio coloca-nos perante duas formas radicalmente diferentes de viver: procurar a tranquilidade libertando-nos do medo da morte ou assumir a finitude como a condição de uma vida verdadeiramente autêntica. Entre o carpe diem de Epicuro e o Dasein de Heidegger, que filosofia de vida faz mais sentido para si?
Embarque nesta reflexão connosco e vemo-nos na próxima semana!

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