O realizador Tiago Pereira anda há 14 anos a palmilhar o país de norte a sul para gravar o cancioneiro nacional que os mais velhos não esqueceram e as suas histórias e ofícios. Deem-lhe uma velhinha que cante que Tiago Pereira dá-nos o mundo e uma alfabetização da memória. Desde que começou na odisseia do projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”, primeiro com amigos, depois a solo, já gravou 8100 vídeos, disponíveis num mapa interativo, para humanizar a música tradicional e a geografia do país. Há dois anos a residir na vila de Serpins, deu o nome “Cura” à sede da sua associação e tem um cão chamado “Tradição”. E aqui recorda um dos momentos mais marcantes nesta sua caminhada: “Uma senhora teve um aneurisma enquanto a gravava a cantar e mais tarde morreu. Gravo o fim das coisas, mas também a esperança, a superação e a cura”. Ouçam-no na primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça

Júlia Pinheiro (parte 2): “Nós já não estamos a pensar. Delegamos tudo à máquina. E não refletimos a mutação desse modo de vida. Isto deixa-me um elefante no peito”
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Júlia Pinheiro (parte 1): “Não estou habituada a que me escutem. As pessoas sabem muita coisa sobre mim, mas se calhar não sabem nada…”
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Filipa Leal (parte 2): “Quero ser melhor amiga, melhor amante e melhor pessoa. Também tento viver melhor e escrever melhor”
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