O realizador Tiago Pereira anda há 14 anos a palmilhar o país de norte a sul para gravar o cancioneiro nacional que os mais velhos não esqueceram e as suas histórias e ofícios. Deem-lhe uma velhinha que cante que Tiago Pereira dá-nos o mundo e uma alfabetização da memória. Desde que começou na odisseia do projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”, primeiro com amigos, depois a solo, já gravou 8100 vídeos, disponíveis num mapa interativo, para humanizar a música tradicional e a geografia do país. Há dois anos a residir na vila de Serpins, deu o nome “Cura” à sede da sua associação e tem um cão chamado “Tradição”. E aqui recorda um dos momentos mais marcantes nesta sua caminhada: “Uma senhora teve um aneurisma enquanto a gravava a cantar e mais tarde morreu. Gravo o fim das coisas, mas também a esperança, a superação e a cura”. Ouçam-no na primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça

Vera Iaconelli (parte 2): “Não sei disputar. Não me interessa a competição. Destaco-me no que faço, mas quero é pertencer. Evito quem atua na inveja. Então faço uma seleção radical, e até sofrida”
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Vera Iaconelli (parte 1): “Interesso-me pelo inconsciente, pela bizarrice, pelo disruptivo, pelos fios soltos e pela falha. É onde aparece a verdade”
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Marco Martins (2ª parte): “Gosto da falha, desde que não venha da preguiça. Há grandes obras de arte que nascem de falhas. No cinema diz-se ‘o erro belo’”
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