Há três anos, um poema seu afixado na rua e publicado no livro “Erosão” (2018) criou um tremor na polícia e foi alvo de um processo judicial por chamar a atenção para a realidade do racismo nas forças policiais. O caso foi arquivado, mas a polémica gerada em torno do seu poema ‘Quando For Grande’ chegou a ser comparada à da obra “Novas Cartas Portuguesas”, das ‘três Marias’, que viram a sua escrita feminista ser julgada em tribunal em plena ditadura, em 1973. Este mês, a escritora, poeta e dramaturga Gisela Casimiro acaba de publicar dois novos livros autobiográficos: um de poesia, “Giz”, e outro de crónicas, “Estendais”, onde partilha as suas dores, alegrias e sonhos e as das pessoas com quem se cruza nos transportes públicos, nos mercados, na rua, na vida, como uma garimpeira que sabe reconhecer a riqueza das histórias mundanas. O músico brasileiro Emicida considera que a “sua caneta pode ser uma navalha” para desfazer preconceitos que têm o corpo ou a cor da pele como alvo. Mas a obra de Gisela faz-nos também olhar para os poemas que as pessoas podem ser. Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas, com Bernardo Mendonça

Júlia Pinheiro (parte 2): “Nós já não estamos a pensar. Delegamos tudo à máquina. E não refletimos a mutação desse modo de vida. Isto deixa-me um elefante no peito”
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Júlia Pinheiro (parte 1): “Não estou habituada a que me escutem. As pessoas sabem muita coisa sobre mim, mas se calhar não sabem nada…”
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Filipa Leal (parte 2): “Quero ser melhor amiga, melhor amante e melhor pessoa. Também tento viver melhor e escrever melhor”
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