A vida da atriz e encenadora Fernanda Lapa foi tão rica e intensa que dava um filme ou uma peça de teatro com os ingredientes da melhor literatura, feita de alegrias, muitas lutas e conquistas e grandes perdas. Mulher forte, íntegra e inconformada dedicou toda a sua vida à arte que mais amava, o teatro. Esta foi a última entrevista dada por Fernanda Lapa, dois meses antes de partir com uma doença fulminante, em agosto de 2020. É sobre o seu amor profundo aos palcos e o futuro incerto do setor das artes, a desesperança, a frustração e falta de dinheiro dos profissionais das artes e espetáculos que arranca esta conversa com a fundadora da companhia Escola de Mulheres (sediada no Clube Estefânia). Figura maior do teatro português, que lutou até ao fim pela valorização da Cultura, dos artistas e técnicos, e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, não foi mansa na crítica ao poder: “Um país que não trata bem os artistas está moribundo. E este país não é para artistas, nem para velhos, nem para novos.” Nesta conversa, Fernanda Lapa conta ainda alguns dos momentos mais relevantes do seu caminho e assume ter sido a teimosia o que a fez levantar-se todas as manhãs. E, tal como o poeta José Gomes Ferreira, revela que viveu sempre cheia de “saudades do futuro.”

Júlia Pinheiro (parte 2): “Nós já não estamos a pensar. Delegamos tudo à máquina. E não refletimos a mutação desse modo de vida. Isto deixa-me um elefante no peito”
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Júlia Pinheiro (parte 1): “Não estou habituada a que me escutem. As pessoas sabem muita coisa sobre mim, mas se calhar não sabem nada…”
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Filipa Leal (parte 2): “Quero ser melhor amiga, melhor amante e melhor pessoa. Também tento viver melhor e escrever melhor”
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