Há 100 anos, em dezembro de 1925, Manuel Teixeira Gomes abandonava a Presidência da República Portuguesa e embarcava no cargueiro holandês Zeus, rumo ao Mediterrâneo. Este algarvio de Portimão (1860-1941), penúltimo presidente da Primeira República, deixava para trás um país em convulsão rumo ao fim do regime republicano e ao 28 de maio de 1926.
Filho de comerciantes de figos, estudou medicina em Coimbra e radicalizou-se na boémia lisboeta. Publicou “Inventário de Junho” (1899) e “Gente Singular” (1909), foi diplomata em Londres, defendeu colónias na I Guerra e foi vice-presidente da Sociedade das Nações.
Eleito presidente em 1923, enfrentou 6 governos instáveis e golpes militares. Impopular, renunciou a 10/12/1925 e exilou-se em Bougie (Argélia), prevendo o colapso republicano. Chamou Portugal “a pátria erodida pela inveja”.
Mas, quando desertou, deixava também Belmira das Neves, filha de pescadores de Portimão que tomou como companheira quando ela tinha apenas 15 anos e ele 40. Mãe das suas filhas Ana Rosa (1906) e Maria Manoela (1910), Belmira nunca pisou Belém nem acompanhou as viagens diplomáticas pela Europa. Ficou no Algarve como primeira-dama invisível, esquecida pela elite republicana.

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