No episódio anterior, Rui Tavares mostrou como as guerras culturais se ancoram no confronto entre identidades, valores e narrativas, e como a invenção da imprensa revolucionou a forma de contar, difundir e disputar ideias.
Neste episódio, a história continua a partir das indulgências e da Reforma Protestante, um dos primeiros grandes exemplos de uma divisão cultural amplificada por uma revolução tecnológica. À medida que a imprensa acelerava a circulação de textos, imagens e polémicas, cresciam também a polarização, a censura e a propaganda.
A ansiedade perante a sobrecarga informativa, que hoje associamos às redes sociais e ao mundo digital, acompanhou também os primeiros séculos da imprensa: nos séculos XVI, XVII e XVIII, muitos acreditavam que existia informação a mais, livros a mais, e que ninguém conseguia acompanhar tudo o que era publicado.
Entre Lutero, Erasmo, a Bíblia Poliglota e os primeiros fenómenos de comunicação de massas, este episódio aprofunda a relação entre guerras culturais e tecnologia, mostrando como as revoluções da comunicação não mudam apenas a forma de transmitir ideias. Mudam também a forma como pensamos, escolhemos lados e imaginamos o mundo.
Lista de obras musicais utilizadas neste episódio:
Debussy - Petite Suite Menuet
Vivaldi - Gnossiene No.1 (Satie), Laurent Dury
Lee John Gretton - Knowing Half the Future
Giovanni Paolo Picchi - Canzon Quinta
Georges Delerue - Gaillarde et air
Steven Johh Carter - The Passing of Time
Georges Delerue - Lamento

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