Ao entrar no ano novo, A Batalha, jornal do movimento operário anarcossindicalista, apresentava aos leitores uma novidade: o Almanaque para 1926.
Fundado em 1919 pela União Operária Nacional, A Batalha era já, em 1926, um diário de referência. Ao invés de mera publicação doutrinária, Alexandre Vieira, o seu primeiro diretor, idealizara um jornal capaz de ocupar espaço na imprensa periódica nacional e participar activamente no debate político. Assim, conjugava textos ideológicos com temáticas diversas, competindo nas bancas com comerciais como Diário de Notícias ou O Século.
A partir do Almanaque, distribuído gratuitamente no início de 1926, Rui Tavares acompanha o início da história deste jornal, e reflecte sobre o papel político do anarcossindicalismo e do movimento operário durante a Primeira República.
O Almanaque, como é da sua natureza, apontava a previsibilidade do tempo: efemérides do calendário, ciclo das estações, marés e fases da Lua. Não podia prever, contudo, a mais impactante efeméride do ano: o dia 28 de maio, quando a República chegava ao fim e o tempo histórico tomava novo rumo.

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