Chama-se Bem-Estar, Saúde Psicológica e Comportamentos Aditivos, e é um estudo do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências, que procurou correlações entre os níveis de bem-estar e o consumo de substâncias psicoactivas e outros comportamentos aditivos entre os alunos do ensino público português entre os 13 e os 18 anos.
O estudo associa o sono insuficiente e sintomas de depressão, ansiedade e stress a uma maior probabilidade de consumos e comportamentos aditivos. Seis em cada dez estudantes não dormem o bastante para acordar descansados.
Entre as raparigas, os indicadores emocionais e o consumo recente de medicação psicoactiva sem prescrição geram mais preocupação. O relatório mostra ainda que, para lá do debate sobre o tempo de ecrã, a maior gravidade pode estar no álcool, nas drogas ilícitas e sobretudo em tranquilizantes, sedativos, analgésicos fortes e “drogas inteligentes” usadas para estudar.
Em paralelo, o suporte emocional parece ter enfraquecido após a pandemia: menos jovens sentem que conseguem desabafar com família e amigos, enquanto bullying e cyberbullying aparecem associados a mais riscos.
Há sinais positivos — mais desporto e mais convívio — mas a pergunta central mantém-se: estamos a responder ao sofrimento juvenil com prevenção e diálogo, ou com automedicação e silêncio?
A convidada deste episódio é Natália Faria, editora de Sociedade do PÚBLICO.

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