Entre os escassos chefes de Estado presentes na cerimónia de tomada de posse do presidente António José Seguro, estava o rei de Espanha, Filipe VI. Não admira por isso que tenha recebido as palavras de agradecimento e elogio que acabámos de ouvir. Como não admira que, na sua primeira visita de Estado, António José Seguro tenha escolhido como destino a capital espanhola. Estará a cumprir uma tradição? Não, porque nem Jorge Sampaio, nem Mário Soares nem Aníbal Cavaco Silva escolheram Madrid para as suas viagens inaugurais. Estaria a seguir um conselho do seu antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa?
O próprio Marcelo visitou o Vaticano antes de, no mesmo dia, ir apresentar cumprimentos ao rei da Espanha e ao seu chefe de Governo. Mas, ponde de lado o apelo da Santa Sé a um presidente católico, se houve um presidente que visitou o país vizinho, foi Marcelo. Nos seus dois mandatos, o anterior presidente foi 18 vezes a Espanha, a última das quais a 20 de Fevereiro deste ano, escassos dias antes de terminar o mandato. Não custa a perceber: Portugal tem fronteiras terrestres apenas com a Espanha; Portugal tem relações diplomáticas com os antecessores do estado espanhol desde o século XII; o primeiro embaixador português em Madrid foi nomeado em 1668.
Nem tudo foi fácil nesta relação. Basta recordar as guerras de 1383/85 ou a União Ibérica sob a égide dos Filipes entre 1580 e 1640. Hoje o aviso de que de Espanha não vem nem bons ventos nem bons casamentos faz parte do passado. Mas, como o economista José Félix Ribeiro avisava há uns 15 anos atrás, o diálogo de Portugal com a Espanha está sempre no cerne da política externa portuguesa pela natural dificuldade de gerir as relações com o país que é o nosso único vizinho, com a desproporção de dimensão demográfica e económica que existe entre ambos e tendo em conta as ambições de centralização de decisões respeitantes à inserção europeia da Península ibérica que Madrid tradicionalmente manifesta”
Apesar das memórias e da “desproporção” de que Félix Ribeiro fala, as relações de Portugal são óptimas e em temas sensíveis como o da gestão da água dos rios ibéricos tem sido possível produzir acordos. O problema maior, que o Presidente Seguro disse querer superar, é a desproporção económica. A Espanha é o nosso principal parceiro comercial, mas enquanto as exportações portuguesas valeram em 2024 25,5 mil milhões de euros, as importações da Espanha ascenderam aos 40 mil milhões.
Como está a relação entre os estados ibéricos actualmente? O que podemos esperar dessa relação no futuro? Como se encaixaram as duas jovens democracias no contexto europeu?
Oportunidade para falar com Diogo Noivo, licenciado em Ciência Política e Mestre em Segurança e Defesa pela Universidade Complutense de Madrid e pelo Centro Superior de Estudios de la Defensa Nacional. Diogo Noivo é politólogo e foi co-autor do podcast do PÚBLICO Desordem Mundial.

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