Não há volta a dar: o que o director-executivo da CNN, Pedro Santos Guerreiro, disse num dos espaços de informação da estação é o que se tornou lugar comum na actual campanha presidencial: a tracking poll da Pitagórica para a CNN, TVI, JN e TSF passou a ser o elemento central das conversas dos eleitores e das ansiedades dos candidatos. As suas indicações não passam disso, de indicações, e os seus autores e outros especialistas em consultas de opinião trataram por diversas vezes de pôr as coisas no seu lugar. Em vão. A cada dia que passa, os resultados da tracking poll são o zénite e o nadir da campanha em curso. Mais do que indicações, muitas vezes os seus números tornaram-se a própria campanha.
Num caso que vai marcar a posteridade, não se ouviram avisos como os que apontam para as limitações da consulta da Pitagórica nem o precedente da eleição legislativa em que Rui Rio e António Costa apareciam ombro a ombro em véspera da votação que acabou por dar uma maioria absoluta ao PS. Pelo contrário, as indicações da tracking poll tiveram o poder de desmoralizar candidaturas bem colocadas, em especial a de Luís Marques Mendes, e de insuflar dinâmicas de vitória em outras que estavam em dificuldades, como a de António José Seguro.
Afinal, o problema é do estudo ou da interpretação que se lhe concede? No dia em que se espera a divulgação da grande sondagem da Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1, vamos tentar perceber como se devem ler as tracking poll e que diferenças apresentam em relação às sondagens propriamente ditas.
E para o esclarecer, contamos com a participação neste episódio de Paulo Alexandre Pereira, professor do departamento de Matemática da Escola de Ciências da Universidade do Minho.