Neste novo episódio, a convidada, Raquel Marinho, fala-nos das suas grandes inquietações que se enquadram nas grandes questões da filosofia: haverá vida depois da morte? Onde é que eu estava antes de ter existido? Existe Deus ou algum tipo de transcendência? Essa transcendência interfere ou não na minha vida?
Para Raquel Marinho, ainda não ter respostas não é um problema, pois, nas suas palavras “É a dúvida que alimenta a procura”. Este episódio está recheado de conversa e humildade: a resposta “eu não sei” deve continuar a ser válida.
Será possível dizer se uma poesia é boa ou má? Talvez não. Talvez haja outro critério para avaliar a sua qualidade: o desconforto. Fazendo das palavras da poeta portuguesa Ana Hatherly as suas, Raquel cita “Quando o poema é bom, não te aperta a mão, aperta-te a garganta”. Esse desconforto, essa inquietação gerada quando nos é retirado o chão, não é má em si mesma, entrega-nos uma imagem nova de algo que conhecíamos, mas não conseguíamos denominar.
Para que serve a poesia? Se calhar é chocante para uns, ou óbvio para outros, mas a poesia não serve para nada. Mesmo não tendo utilidade, acrescenta à vida coisas que não experimentaríamos sem ela. Nas palavras de Raquel, “A utilidade é uma palavra que não faz muito sentido quando falamos de poesia, mas ainda bem”.
Refletimos sobre o que realmente importa na vida, e através de um excerto de Amália Bautista, chegamos à conclusão de que há poucas coisas que realmente importam: amar e ser amado, e não morrer antes dos nossos filhos.
Tentámos ainda descobrir o grau de parentesco entre a Poesia e a Filosofia. Serão mãe e filha? Se sim, qual ocupa que papel? Serão irmãs ou primas afastadas? O que sabemos é isto “Partilham o Espanto”.
Por fim, a frase de Manuel de Barros: “A maior riqueza do homem é a sua incompletude”, marcou este podcast pela paz em reconhecer que somos incompletos. Sabendo isto, não encontrar respostas não nos deve fazer desistir de perguntar, pelo contrário, deve inquietar-nos e perguntar sempre mais.

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