Durante dois anos a prestigiada escritora Lídia Jorge escreveu um romance que partiu de um pedido da sua mãe, pouco antes de morrer. Confinada num lar de idosos, pediu que a obra se chamasse “Misericórdia” para que as pessoas se tratassem com mais humanidade e empatia. Lídia acedeu ao pedido e escreveu o seu livro mais íntimo, uma exaltação da vida, da curiosidade, da sabedoria mesmo quando a morte espreita. Uma obra que acaba de ser distinguida com o Prémio Médicis Étranger, em ex-aequo com o romance "Impossibles Adieux", da sul-coreana Han Kang. Nesta edição especial, relançamos a conversa com Lídia Jorge, realizada em outubro de 2022 para este podcast, que viaja na memória até à infância da escritora, aos tempos vividos em África onde teve o seu filho, até à crise atual no país, sobre a qual afirmou: “É errado um discurso triunfalista dos números quando as pessoas estão a sofrer muito. Há um contraste entre aquilo que é o discurso político e a vida das pessoas.”

Luca Argel (parte 2): “Sou otimista por escolha, não por natureza. É fundamental não abrirmos mão dos sonhos, do encanto, da poesia. A arte pode ser útil nesse exercício”
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Luca Argel (parte 1): “A vida não acontece, não se dá, se não houver espaço para a surpresa, para o inesperado. É preciso haver uma casa vazia no tabuleiro”
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Joana Gama (parte 2): “Quero que seja tudo mais lento. Se pudesse dilatava o tempo. A minha ideia é deixar ouvir a ressonância das notas”
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