Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho relembram a Exposição do Mundo Português que, com um timing infeliz, abriria as suas portas a 23 de Junho de 1940, um dia a seguir à rendição da França, em Compiègne, à Alemanha nazi. Com a Europa mergulhada quase integralmente nas trevas, Lisboa, capital de um país neutro, festejava brilhantemente o Duplo Centenário da Independência e da Restauração.
Concebida para mostrar ao mundo e aos portugueses as glórias passadas e as conquistas do Estado Novo, a exposição – ponto alto com que se encerrariam as Comemorações - acabaria por falhar parte desse objectivo. A guerra determinaria um número de visitantes estrangeiros muito menor do que o esperado. Por essa altura, porém, o país, recebia milhares de refugiados em trânsito graças ao acto de consciência do cônsul português de Bordéus, Aristides de Sousa Mendes. Contudo, os que chegavam tinham outras preocupações. E, apesar de a Exposição ter tido - durante os cinco meses que esteve aberta - cerca de 3 milhões de visitantes, a esmagadora maioria eram visitantes nacionais vindos de todo o país.
Coube a António Ferro a seleção dos arquitectos e artistas da exposição. O director do Secretariado de Propaganda Nacional escolheria a nata da geração modernista incluindo mesmo aqueles que, como Arlindo Vicente e Cassiano Branco, estavam visivelmente desalinhados com Estado Novo. A Exposição do Mundo Português foi fruto de um regime totalitário que a usou como trunfo propagandístico. Contudo, não deixou de ser um acontecimento absolutamente marcante no panorama cultural português.

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