Nascido a 3 de outubro de 1733, Diogo Inácio de Pina Manique teve uma carreira fulgurante ocupando com eficácia e zelo, por vezes excessivo, os principais cargos administrativos da sua época. A sua ação resoluta e pragmática foi reconhecida tanto pelo Marquês de Pombal como pela rainha D. Maria I. Seria, contudo, muito pouco complacente com os que não cumpriam as suas regras. Foi o que aconteceu em 1777 quando mandou incendiar, de noite, a aldeia piscatória da Trafaria para apanhar alguns homens que tinham fugido ao recrutamento. Ficaria, por isso conhecido como “O Carrasco da Trafaria”.
Em 1780, D. Maria I nomeia-o Intendente Geral da Corte e do Reino. Mais uma vez, assumiria o cargo com extremo zelo. Com a difusão dos ideais da Revolução Francesa e sobretudo com a ascensão de Napoleão Bonaparte – que vinham colocar em causa o absolutismo real - Pina Manique vai de forma quase paranoica perseguir todos os que potencialmente tivessem simpatias pelos ventos que sopravam de França. Muitos ver-se-iam obrigados a abandonar o país por imposição do Intendente ou para para não serem incomodados pelos seus esbirros. Seria o caso do abade Correia da Serra, um dos fundadores da Academia das Ciências, e dos da poetas Marquesa de Alorna e Filinto Elísio.
Por outro lado, Diogo Inácio de Pina Manique foi um adepto do estudo científico que, com a direção do matemático José Anastácio da Cunha, fez aplicar na obra assistencial que criou em 1780, a Real Casa Pia de Lisboa. O objectivo era tirar das ruas crianças desvalidas, de ambos os sexos – que potencialmente poderiam tornar-se mendigos ou criminosos - para os alimentar e educar para que se pudessem integrar, posteriormente, na sociedade. Os alunos que se destacassem eram encaminhados para a universidade de Coimbra podendo os de medicina, mais tarde, especializar-se no estrangeiro. Os que demonstrassem talento artístico, como Vieira Portuense, Domingues Sequeira e João José de Aguiar iriam para Roma.
Defensor de um absolutismo iluminado, Pina Manique foi, aliás como o Marquês de Pombal, um homem de grandes obras e de grandes violências.

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