O Padre jesuíta António Vieira viveu 89 anos acompanhando quase todo o século XVII. Destemido e desassombrado, os seus sermões atrairiam multidões tanto em Lisboa como no Brasil e mesmo em Roma. Protegido por D. João IV de quem foi amigo e conselheiro desempenhou, por algum tempo, missões diplomáticas. Orador excecional defendeu a igualdade entre cristãos novos e cristãos velhos, a liberdade dos índios e criticou duramente a forma como os escravizados eram tratados. Esteve na origem da criação da Companhia de Comercio do Brasil que opôs o poder real aos interesses do Tribunal do Santo Oficio. No Brasil, tentou por todos os meios subtrair os índios a escravização o que lhe valeu o ódio dos colonos que o perseguiram e expulsaram com os jesuítas que o seguiam. De regresso a Lisboa, e já sem a proteção real é preso por heresia pela Inquisição e condenado ao silêncio. Amnistiado por D. Pedro II parte para Roma onde o papa Clemente X não só anula a sua pena como acaba por encerrar temporariamente o Tribunal do Santo Oficio. Aos 73 anos regressa ao Brasil onde viverá até morrer em 1697. Aquando desta viagem terá dito «Embarquei-me, com esta última viagem, trinta e cinco vezes e sei tão pouco: que farão os que viram o mar só do Cais da Pedra até Sacavém».

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