Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho conversam com o historiador Joaquim Boiça e relembram o audacioso desembarque das tropas de Filipe II, no final de Julho de 1580, a norte do Cabo Raso. Para o sucesso desta delicada operação foram fundamentais as informações enviadas para Espanha pelos espiões do Duque de Alba e o apoio assumido de D. António de Castro, senhor de Cascais, que acompanhava as tropas espanholas. Numa operação que séculos mais tarde — mal comparando – se assemelharia ao desembarque da Normandia, o Duque de Alba e o Marquês de Santa Cruz usariam uma manobra de diversão para enganar as tropas portuguesas chefiadas por D. Diogo de Menezes, indo depois desembarcar em praias improváveis e de difícil acesso. A rapidez com que tudo se passou, a conquista de Cascais e de S. Julião da Barra e a derrota do Prior do Crato em Alcântara abriram as portas do reino a Filipe II. A facilidade com que o exército espanhol chegou a Lisboa mostrou como a capital estava pouco fortificada — Francisco De Holanda já tinha alertado D. Sebastião na sua obra “Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa”. Consciente dessa fragilidade e temendo, com razão, ataques ingleses dos aliados do Prior do Crato, Filipe II vai dedicar especial importância à defesa da Barra do Tejo. Seria, no entanto, só após a Restauração que, por vontade de D. João VI, se reforça de modo consistente a Barra do Tejo e o litoral português.

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