Neste episódio do podcast À Direita, Teresa Nogueira Pinto conversa com Alexandre Franco de Sá, professor universitário, investigador e autor do livro Ideias sem Centro: Esquerda e Direita no Pensamento Contemporâneo. Foi uma conversa sobre as origens, as contradições e as possibilidades do populismo à direita.
Se o atual momento populista começou à esquerda, com figuras como Hugo Chávez, Alexis Tsipras ou Pablo Iglesias, foi à direita, com o Brexit e a primeira eleição de Donald Trump, que esta vaga se tornou mais consequente. E hoje, à direita, o populismo continua a ser uma possibilidade ou tornou-se caminho para lado nenhum?
A conversa parte de uma questão essencial: de que falamos quando falamos de “povo”? Alexandre Franco de Sá explica como, para o populismo de esquerda, o povo tende a ser uma construção política resultante da aliança entre diferentes grupos contra as elites, enquanto, à direita, procura recuperar-se o povo como uma comunidade ligada por experiências, referências e continuidades entre gerações. Os dois populismos não são simétricos e, à direita, o campo está menos teorizado e, por isso, permanece mais aberto mas também mais imprevisível.
Falou-se ainda das especificidades da política brasileira e italiana, de um mundo que lê muito Rawls e esquece Platão, Aristóteles ou São Tomás de Aquino, e, claro, dos riscos de uma política fundada no conflito permanente. Se a polarização pode transformar adversários em inimigos morais e criar universos incapazes de comunicar entre si, também há riscos num centrismo que, em nome da moderação, tantas vezes esvazia a própria política. Para Alexandre Franco de Sá, a política não existe para nos fazer conviver apenas com aqueles de quem gostamos, mas para nos permitir partilhar o mundo com quem pensa de forma radicalmente diferente.

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