As redes sociais tornaram-se as trincheiras da guerra cultural contemporânea. É nelas que se disputam ideias, reputações, gostos e votos; foi nelas, também, que a direita encontrou uma forma de contornar os mediadores tradicionais e falar diretamente com quem a quer ouvir e, não menos importante, com quem não a quer ouvir. Neste episódio do podcast À Direita, falamos de política na era do TikTok, de vídeos virais que se transformam em capital eleitoral e dos riscos de reduzir grandes debates políticos aos poucos segundos de um reel.
As convidadas são Rita Matias, deputada do CHEGA e, em 2022, a mais jovem mulher eleita para a Assembleia da República, e Rute Sousa, especialista em comunicação, empresária e uma voz com forte (e polémica) presença nas redes sociais. Uma está na política partidária e institucional; a outra ocupa sobretudo o espaço cultural e digital. Ambas, cada uma no seu registo, recusam a velha tentação de uma direita defensiva e permanentemente preocupada em obter licença de circulação junto da esquerda.
Esta foi uma conversa exclusivamente no feminino, embora não necessariamente feminista. Falou-se sobre progressismo e conservadorismo, sobre maternidade, trabalho e liberdade de escolha, e perguntou-se se haverá uma contradição entre criticar o feminismo e ser beneficiária das conquistas que lhe são atribuídas.
Houve ainda tempo para falar do humor como instrumento de subversão, de temas polarizadores como o aborto, imigração e Israel, e, claro, do preço da exposição pública. Porque se as redes democratizaram a palavra, também amplificaram o insulto e a crueldade. Mas, como diz o povo, quem diz o que quer arrisca-se a ouvir o que não quer. A grande questão que se coloca será saber se esse preço é apenas o custo da notoriedade ou, num espaço público cada vez mais conformista, o preço da própria liberdade.

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