Neste episódio do À Direita, José Bento da Silva, professor e investigador na Warwick Business School, conversa com Teresa Nogueira Pinto sobre aquilo que Simone Weil definiu como “a necessidade mais importante e menos conhecida da alma humana”: o enraizamento.
A política deixou de ser apenas uma disputa sobre impostos, prestações sociais ou modelos económicos. Regressou uma clivagem mais funda: a que separa aqueles que continuam a sentir que pertencem a algum lado daqueles que vivem cada vez mais desenraizados, desligados de uma comunidade, de uma história e de um lugar.
Uma conversa sobre a forma como a modernidade alterou profundamente a experiência do social, a aceleração do tempo, a globalização, a transformação das empresas em novos espaços de socialização e a erosão de instituições que, durante séculos, estruturaram a vida humana. Uma conversa que passou por Weber, Bauman, David Goodhart e John Gray para pensar um mundo onde as categorias tradicionais da política parecem já não ser suficientes.
Sem grandes nostalgias, foi uma reflexão sobre um tempo de transição, marcado simultaneamente pela promessa de um progresso tecnológico sem precedentes e por um crescente sentimento de desenraizamento. A inteligência artificial foi naturalmente chamada à conversa: não apenas pelas profissões que poderá transformar, mas porque nos obriga a perguntar quais são as capacidades verdadeiramente humanas que nenhuma tecnologia poderá substituir — o juízo, a empatia, a prudência ou a capacidade de lidar com a ambiguidade. Se a modernidade nos habituou a acreditar que tudo pode ser racionalizado e acelerado, talvez este seja também o momento de redescobrir aquilo que pode resistir à quantificação.

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