Esta semana debatemos vários temas que se cruzam todos com a mesma pergunta: como é que se governa, e como é que se faz oposição, num país que mudou mais depressa do que as suas estatísticas, num Parlamento sem maiorias claras e com sondagens a mexerem no equilíbrio político?
Comecemos pelos novos números do INE sobre a população residente em Portugal. A revisão é muito significativa: Portugal ultrapassa agora os 11,4 milhões de residentes e a população estrangeira residente aproxima-se dos 1,6 milhões de pessoas, cerca de 14% do total. Mais do que uma correcção estatística, isto altera a forma como olhamos para a imigração, para os serviços públicos, para o mercado de trabalho e até para os indicadores per capita.
Será que o facto de até aqui terem sido tomadas decisões quanto à Educação ou ao SNS, baseadas em dados errados dá algum espaço de manobra ao Governo para se adaptar à nova realidade?
Na semana passada, a pretexto da Prestação Social Única, já aqui falámos bastante sobre a questão dos acordos e desacordos entre o Governo e a oposição. Entretanto, o Governo insiste que tem um parceiro preferencial e que PS e Chega têm uma responsabilidade equivalente nas próximas reformas e no Orçamento. E esta pergunta leva-nos directamente ao Orçamento. José Luís Carneiro não fecha a porta à viabilização, mas também não quer aparecer como muleta do Governo. Como é que o PS vai gerir esta magna questão? E como é que o Governo pode facilitar a aprovação do Orçamento?
Há outra questão que pode mexer com o PS na altura de viabilizar, ou não, o Orçamento: o PS e José Luís Carneiro seguem embalados por mais uma sondagem positiva. O PS consolida a liderança, Carneiro tem aparecido bem avaliado na comparação para primeiro-ministro e há sinais de desgaste da AD. Mas a vantagem socialista não é necessariamente confortável e continua a haver um triângulo muito instável entre PS, Chega e AD. Será que estas sondagens já permitem dizer que José Luís Carneiro devolveu o PS ao centro do jogo político?
E há um ponto curioso: uma das leituras das sondagens é que o chumbo da reforma laboral não penalizou o PS — pelo contrário, parece ter sido bem recebido por muitos eleitores. É caso para perguntar: basta dizer “não” ao Governo para recuperar terreno?
Uma questão final para a mudança de liderança do Livre, que ocorreu esta semana: o que é que isto significa para o futuro que se funde e confunde tanto com Rui Tavares?
Os minutos finais vão para o Público e Notório.

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