O episódio de hoje começa com um tema que juntou futebol, política e gestão de crise: a presença de governantes e dirigentes políticos no Mundial de 2026, nos Estados Unidos, numa altura em que Portugal estava em alerta por causa dos incêndios. Luís Montenegro foi ver a selecção, a oposição criticou, e Hugo Soares respondeu que os sociais-democratas gostam de futebol, que são “do povo” e que a selecção é uma representação maior do país.
A questão não é apenas o futebol. O primeiro-ministro estava fora do país num momento sensível, com incêndios e situação de alerta. Falamos sobre isso, sobre se as presenças foram um risco calculado e sobre a mensagem que se quer transmitir através da frase “nós somos do povo”.
Segue-se um assunto que tem deixado as famílias à beira de um ataque de nervos. As últimas semanas foram marcadas por confusão nos exames nacionais: atrasos, dificuldades na distribuição das provas para correcção, falhas técnicas, alterações no calendário e uma pressão crescente sobre o ministro Fernando Alexandre. O Governo diz que o essencial é garantir o rigor da avaliação e que os alunos não serão prejudicados, mas a ideia de desorganização ganhou força.
E há uma dimensão que vai além dos exames: professores, escolas, famílias e alunos vivem com ansiedade qualquer falha neste processo, porque os exames contam para o acesso ao ensino superior e porque a confiança no sistema depende muito da previsibilidade.
A verdade é que Fernando Alexandre entrou no Governo com uma imagem de competência técnica, algum capital de confiança e a expectativa de que conseguiria estabilizar uma área cronicamente difícil. Mas a Educação tem uma capacidade muito própria de consumir ministros depressa. Será que podemos dizer que este episódio marca o fim do estado de graça de Fernando Alexandre? E que dano será mais difícil de reparar neste caso: o atraso concreto no calendário, a falha técnica, ou a quebra de confiança na capacidade do Ministério para gerir processos sensíveis?
Os minutos finais são reservados para o Público & Notório.
O Poder Público volta na próxima semana, excepcionalmente na sexta-feira, para comentar o debate do estado da nação.

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