Filho do regime, o rap levou Luaty Beirão a uma Angola que o privilégio não lhe tinha permitido conhecer, a consciência do país em que vivia levou-o à oposição frontal a José Eduardo dos Santos e a oposição levou-o à prisão, onde esteve com mais de 14 companheiros, há 11 anos. Na prisão, onde esteve por duas vezes, completou 36 dias de greve de fome, não permitindo que a sua luta fosse esquecida. Angola está encalhada e desesperada. Bastará aparecer um demagogo agressivo como Venâncio Mondlane para que explosões de protesto e violência, como as que aconteceram em 2025 com a greve dos candongueiros, ganhem dimensões semelhantes às que vimos em Moçambique. A esperança de Angola é uma geração que já não é determinada pelas clivagens da guerra civil e já não aceita a terrível herança colonial como desculpa para os erros de uma elite que, na realidade, mimetizou a opressão e exploração do colono. Nesta hora podem ouvir a conversa que tive com Luaty, em Luanda. A sua luta – e a dos seus companheiros – continua. Corajosa, como sempre.

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