Desta vez não há dúvidas: ao contrário das discussões em torno das verdadeiras intenções dos Estados Unidos na primeira e na segunda guerra do Iraque, na agressão à Venezuela é o próprio presidente Trump que nos diz o que está em jogo: o controlo do país para poder dispor das mais vastas reservas de petróleo conhecidas do planeta. A ordem judicial que serviu de pretexto para a operação funcionou assim como uma cortina de fumo para que os Estados Unidos afastassem Maduro e os seus aliados da Rússia, da China e do Irão do hemisfério Ocidental, o velho quintal das traseiras onde Washington não prescinde de mandar. Agora, Trump quer transformar a Venezuela num protectorado, uma nova republica das bananas como aconteceu outrora na Nicarágua, no Panamá ou na Guatemala. Só que em vez de bananas e da United Fruit, o que está em causa é o petróleo o apetite dos gigantes americanos para o explorar.
Conhecida a estratégia de Washington, falta ainda saber o que esperar da Venezuela. O fim de uma ditadura cruel com 28 anos foi saudado pela diáspora venezuelana em todo o mundo, mas o regime chavista não caiu: a vice-presidente, Delcy Rodrigues, subiu ao lugar de Maduro e não dá sinais de querer representar o papel de marioneta que Donald Trump anunciou ter para lhe entregar.
Se o regime bolivariano não se desfizer e se cumprir as promessas de lutar contra o que diz ser uma agressão colonialista dos Estados Unidos, Donald Trump só conseguirá levar o seu plano avante com uma nova intervenção militar no terreno. Que, de resto já admitiu. Mas, estará a Venezuela mobilizada para lutar em nome de um regime que oprimiu o seu povo e o arrastou para a miséria?
Hélder Silva, jornalista, esteve enquanto enviado da RTP três vezes na Venezuela, onde passou várias semanas. Teve assim oportunidade de conhecer o país por dentro, conhecimento que transferiu para o seu livro, estórias por detrás da História: Venezuela. É o nosso convidado deste episódio