Em Portugal, faltam cerca de 300 mil casas, segundo uma estimativa do Banco de Portugal. O governador do banco central, Álvaro Santos Pereira, considera que não há urgência suficiente no investimento público e privado para responder ao problema. Apesar de alguns sinais de melhoria nos licenciamentos e no investimento, continua a não se construir o suficiente, enquanto os preços crescem a ritmos elevados.
Na última década, os preços das casas subiram 180% e o investimento estrangeiro ligado ao imobiliário chegou aos 3,9 mil milhões de euros em 2025. Para quem investe, uma casa pode representar uma fonte de rendimento através das rendas ou um activo que valoriza com o tempo. Mas, para quem precisa de comprar ou arrendar, a subida dos preços torna cada vez mais difícil encontrar uma habitação a um custo comportável.
Neste episódio do Hoje, conversamos com Ana Cordeiro Santos, economista e investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, sobre a financeirização da habitação. O que significa olhar para uma casa como um activo financeiro? Que papel têm os fundos e os grandes investidores? E quem ganha quando a habitação se torna também um negócio?



