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Quatro anos depois, o pesadelo da guerra persiste na Ucrânia

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Foi há quatro anos. Com semblante carregado, tom de voz dramático, pausas profundas na conversa para respirar fundo, Vladimir Putin elencava num discurso de 28 minutos as razões que o levaram a atacar barbaramente a Ucrânia. Foi há quatro anos, mas é como se fosse ontem. Todos nos lembrámos das referências a uma operação militar especial para libertar Kiev dos neonazis e corruptos, para afastar a Nato das portas da Rússia, para garantir direitos básicos aos russos do Donbass. Todos sabemos que o que estava em causa era uma invasão à margem do direito internacional e da vontade da Ucrânia em assumir finalmente a sua soberania, como todos sabemos que a tal operação especial que deveria ficar encerrada em semanas dura há quatro anos.

No horizonte das nossas vidas, poucos acontecimentos foram tão marcantes como esse fatídico dia 24 de Fevereiro de 2022. Os serviços de informações britânicos e americanos tinham avisado para a concentração de uma impressionante força militar nas fronteiras da Ucrânia, mas ninguém queria acreditar que a Europa pudesse assistir a uma violação tão flagrante das fronteiras nacionais. Depois de 2014, ano em que Putin invadiu e anexou o Donbass e a Crimeia, acreditava-se que os impulsos imperialistas do Kremlin estavam satisfeitos. O Ocidente, em especial os países europeus, não acreditavam que esse velho mundo baseado no poder das armas pudesse regressar. Os bálticos, ou a Polónia, conheciam melhor a Rússia do que nós e só eles foram capazes de antecipar o que veio a acontecer.

Com várias tentativas de fazer a paz, um rasto de 1,2 milhões de baixas do lado da Rússia e umas 600 mil do lado da Ucrânia, um país destruído, uma ordem internacional desfeita e um novo equilíbrio global ameaçado por um presidente mitómano e irresponsável em Washington, a pergunta urgente que todos fazemos é: e agora, quanto tempo mais vai durar esta ignominia? Uma pergunta que decidimos colocar a José Pedro Teixeira Fernandes, Doutor em Ciência Política e Relações Internacionais, investigador do IPRI/NOVA—Instituto Português de Relações Internacionais, investigador associado do IDN—Instituto da Defesa Nacional e professor do ISCET—Instituto Superior de Ciências Empresariais e do Turismo na área das Relações Internacionais.

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