Donald Trump disse-o com todas as letras: "Nós, os Estados Unidos, precisamos da Gronelândia". E se Trump o diz nada parece capaz de o contradizer. A ilha gigantesca que liga as zonas navegáveis do Atlântico Norte ao Árctico é um território autónomo sobre a soberania da Dinamarca? Pouco importa. A Dinamarca e quem representa democraticamente os habitantes da ilha já disseram que a Gronelândia nem está à venda, nem aceita sair da esfera da soberania da Dinamarca? Esqueçam isso. Trump diz que o território é vital para a segurança norte-americana e, a partir daí, não admite qualquer limite à imposição da sua vontade. Se for necessário, avisou Trump, o recurso ao poder militar é uma opção.
Insuflado pelo sucesso da arrojada operação militar, a actual elite política de Washington deu vazão às suas ilimitadas ambições territoriais e a Gronelândia surge na primeira linha das suas prioridades. O que há meses parecia um devaneio tornou-se uma possibilidade. Ninguém aposta que Trump desista de reclamar o controlo da Gronelândia. O ataque a um Estado-membro da União Europeia e da NATO deixou de ser uma ideia mirabolante. Se tal acontecer, a Europa e o mundo entrarão em um território ainda mais desconhecido e perigoso.
Neste episódio ouvimos Nuno Severiano Teixeira, um dos mais conceituados especialistas portugueses em geoestratégia, defesa e política internacional. Professor e presidente do Instituto de Português de Relações Internacionais, o IPRI da Universidade Nova de Lisboa, Nuno Severiano Teixeira é também colunista do PÚBLICO.

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