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Extrema-direita chegou tarde, mas cresceu rápido. Porquê?

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Durante muitos anos, Portugal esteve imune ao crescimento do populismo de extrema-direita, ao contrário do que acontecia em grande parte dos países da União Europeia. Mas bastaram seis anos para que o Chega de André Ventura passasse de um único deputado para segunda força parlamentar, em 2025. Os 60 deputados do Chega abalaram os alicerces do bipartidarismo, dado até aí como garantido.

primeira volta das eleições presidenciais consolidou o peso eleitoral de André Ventura, o segundo candidato mais votado, com uma percentagem de 23,52% que ficou muito à frente do candidato do PSD e do Governo, e que irá disputar a segunda volta com António José Seguro. O Chega combina nativismo, autoritarismo e uma xenofobia específica contra a comunidade cigana e o seu sucesso pode ser atribuído, entre outras causas, à activação de um eleitorado propenso à abstenção, à visibilidade do seu líder e à utilização das redes sociais.

É o que defendem vários investigadores, portugueses e estrangeiros, que participam na obra colectiva Chega: The New Portuguese Far Right, publicada, recentemente, pela Routledge. Este livro conclui que a normalização mediática e política do Chega permitiu o seu crescimento entre um eleitorado moderado e atraiu militantes à procura de uma oportunidade na política.

O convidado deste episódio é João Carvalho, o coordenador deste livro. Cientista político e investigador do Iscte, João Carvalho tem vindo a estudar os movimentos da extrema-direita europeia.

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O Hoje é o podcast diário de informação do PÚBLICO. De segunda a sexta, a jornalista Sara de Melo Ro 
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