Numa conversa que passou pela mudança de paradigma político — tema do mais recente número da Electra, Psicocracia — em que “antigamente interpretávamos tudo à luz da luta de classes e hoje é do complexo de Édipo”, José Manuel dos Santos falou do “movimento de despolitização que estamos a viver”.
O director da revista Electra, antigo assessor para a cultura dos presidentes Mário Soares e Jorge Sampaio, diz que, perante a ameaça da extrema-direita em toda a Europa, a que os partidos tradicionais estão com dificuldades em dar resposta, é preciso que cada um de nós se interrogue sobre “o que temos feito todos para vencer os demónios e os fantasmas que nos cercam”.
Lembra Mário Soares com quem trabalhou longos anos e de quem foi amigo, que sempre defendeu que “a coragem individual” conseguia enfrentar as máquinas totalitárias.
José Manuel dos Santos acredita que a subida dos populismos por todo o lado decorre do neoliberalismo. “Este sistema neoliberal capturou a democracia”, afirma, apontado a subida da extrema-direita ao facto das pessoas “se terem deixado de sentir representadas”. Lembra que a ideia de que o neoliberalismo iria “dar cabo da democracia” era um tema recorrente de Mário Soares nos seus últimos anos.
A próxima série do podcast O que fazer quando tudo arde voltará em breve ao convívio dos leitores do PÚBLICO.

Bianca Castro: “Há uma tendência crescente para criminalizar activistas”
33:52

Joana Marques: “Eu mostro as coisas que as pessoas efectivamente disseram”
41:00

João Maria Jonet: “As câmaras gastam dinheiro em coisas absurdas. Há uma festa a toda a hora”
43:43