A 4 de setembro celebra-se o dia mundial da Saúde Sexual. É possível que não saiba, mas Portugal foi o primeiro país do mundo a instituir oficialmente o dia Nacional da Saúde Sexual em 2021, com um projeto aprovado por unanimidade em Assembleia da República.
Todos os anos, a Associação Mundial para a Saúde Sexual seleciona um tema para reflexão e atuação. O tema desde ano é Every Body, com duas palavras. É um convite a reconhecer que todos os corpos importam. Que a saúde sexual, os direitos, a justiça e o prazer pertencem a todas as pessoas, a todos os corpos, sem exceção. E é um apelo à autonomia corporal.
Como forma de honrar este tema, esta não será certamente a única vez que falamos de sexualidade em todos os corpos neste podcast. Mas para celebrar este dia, Mafalda Cruz conversou com Catarina Oliveira, a Espécie Rara sobre Rodas. A Catarina é ativista pelos direitos das pessoas com deficiência, e, como ela própria o diz "criadora, consultora e faladora!". Foi uma boa conversa.
Há 11 anos, uma inflamação súbita na medula, sem causa conhecida, mudou-lhe a vida a meio de uma viagem ao Brasil. Em poucos dias, o que parecia uma leve dor nas costas tirou-lhe o movimento das pernas. Hoje, a Catarina desloca-se em cadeira de rodas e transformou essa experiência em ativismo, em conteúdo nas redes sociais e, sobretudo, em conversa aberta sobre tudo aquilo que continua a ser tabu.
E é sobre isso que falamos neste episódio de estreia da segunda temporada: sobre corpo, sobre desejo, sobre os primeiros encontros depois de uma cadeira de rodas entrar na equação, sobre o que muda e o que não muda no prazer.
Falamos também dos mitos que persistem à volta da sexualidade das pessoas com deficiência, das histórias (algumas difíceis de ouvir) que chegam até à Catarina através do seu trabalho de ativista, e dos silêncios que ainda existem nos hospitais, nos centros de reabilitação e nas instituições.
Há ainda um tema de que quase ninguém fala em Portugal, e que a Catarina desmistifica com uma clareza rara. Um tema que levanta perguntas sobre autonomia, sobre consentimento e sobre aquilo que consideramos um direito humano básico e que, tal como vai perceber, está longe de ser garantido a todos os corpos.
Fica o convite para ouvir esta conversa sincera, sem filtros e com leveza, sobre um tema que nos diz respeito a todos: o direito de qualquer corpo ao prazer.

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