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No Escuro com a controvérsia de 2026, NAZA, denúncia da máquina de morte israelita

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Portugal, a Espanha e a Itália serão os primeiros países europeus a estrear NAZA, o filme do quarteto israelo-palestiniano formado por jornalistas e activistas que recebeu o Prémio Especial do Júri na última edição do Festival de Veneza — dia 1 de Outubro nas salas portuguesas, distribuído pela Nitrato Filmes.

Deram a cara por NAZA Yuval Abraham e Rachel Szor tal como pelo filme anterior, No Other Land, foram Abraham e Basel Adra que figuraram no genérico como realizadores e se deslocaram a Hollywood para receberem o Óscar do melhor documentário em 2025.

Nenhum deles é estranho à polémica, mas com NAZA os israelitas Abraham e Szor enfrentam neste momento um dos períodos mais difíceis das suas vidas. Estão a ser acusados de traição pelos sectores conservadores de Israel, de se aproximarem do anti-semitismo, ou de serem mesmo anti-semitas, e o governo anunciou pôr em marcha um processo de revogação da cidadania. Nada que não tivessem previsto: durante a conferência de imprensa em Veneza, perguntavam-se já o que os esperaria no regresso ao país, algo que até aqui parecia ser exclusivo dos cineastas iranianos acusados de traírem a república islâmica fazendo os seus filmes. Ou como uma "democracia" se socorre, para se proteger, dos mesmos mecanismos de terror de uma teocracia.

O "escândalo" de NAZA não é mais do que o resultado de uma investigação jornalística. Foi publicada em 2023 e desvenda, através do testemunho anónimo de 24 ex-operacionais do exército, um sistema de matança de palestinianos, no pós- 7 de Outubro de 2023, comandado à distância com ferramentas de Inteligência Artificial que autoriza a morte de civis em nome de se atingir um alvo em Gaza: um (suposto) terrorista do Hamas. Quando em NAZA um dos operacionais faz desenhos num papel a explicar em que é que se apoia esse sistema, limpo e tecnológico, não pode deixar de ser convocada a sequência em que Claude Lanzmann, no monumental Shoah (1985), com uma câmara escondida, filmava Franz Suchomel, um SS em Treblinka, um criminoso de guerra, a descrever de forma também fria a "coisificação" das vítimas da Solução Final.

As anteriores vítimas são agora os carrascos? NAZA, filmado à noite em Telavive durante três anos, e nas alturas das torres da cidade, para proteger o anonimato das suas fontesé por isso um filme sobre a sociedade israelita, fechada num silêncio cúmplice. Com isso o governo de Israel não está a conseguir lidar.

No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um trecho de The Hidden Desert, gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, é: #levantemoraboevaoaocinema.

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