A União Africana (UA) declarou este ano de 2026 como o Ano da Água e do Saneamento, razão pela qual a quarta edição da Bienal de Luanda, que se realizou a 28 e 29 de Outubro, foi dedicada à água e à forma como a sua gestão pode ajudar a prevenir e mediar conflitos. Vários conflitos activos em África neste momento têm a água em grande plano, quer pela sua disputa, quer pela sua escolha como alvo justificado de guerra e muitos mais surgirão se os Estados-membros da UA não adoptarem a diplomacia da água como eixo prioritário nas suas agendas de segurança e política externa.
Sobre a gestão partilhada da água como factor fundamental para a paz em África conversamos neste episódio com Lídia Brito, directora-geral adjunta para a Prioridade África e Relações Externas da UNESCO, que discursou em Luanda para jovens, organizações da sociedade civil, decisores políticos.
Antes da entrevista, na primeira parte, Elísio Macamo e António Rodrigues discutem o impacto no mundo em geral e em África em particular da vitória de Lula da Silva nas eleições presidenciais do Brasil e de como essa vitória está a ser vista como uma demonstração de que se podem derrotar as forças da extrema-direita sabendo usar as ruas e as redes sociais como factor mobilizador das populações em defesa da democracia.
Também falaremos das disputas internas no MPLA em Angola, e das diferenças entre o Presidente João Lourenço e Higino Carneiro, cuja candidatura à liderança do partido não foi aceite pelos órgãos internos, que acusam o general de falsificação de assinaturas e estão a pensar apresentar queixa na justiça. Na sexta-feira, o antigo governador de Luanda foi interrogado durante nove horas pela comissão de ética do partido. Será que o general será expulso do partido? Há quem veja nestes problemas internos do partido dos camaradas como um sinal de que se apresentará às urnas em 2027 mais fragilizado. Conclusão que parece nitidamente precipitada quando tão pouco se sabe.



