“A habitação não se resolve com ideologia”: o duelo político que opõe liberalização e Estado na crise da casa em Portugal

 

Entre a liberdade artística e a crise da habitação, o debate político português ferveu num frente-a-frente onde o Governo de Luís Montenegro foi posto à prova. De um lado, a defesa da liberdade de expressão, da imprensa e da criação artística, a propósito de manifestações e de incidentes de ordem pública que mobilizaram a polícia. Do outro, a pressão de um mercado imobiliário em que comprar casa se tornou, para muitos, um sonho adiado. A Iniciativa Liberal avançou com a receita da liberalização: construir mais, desburocratizar licenciamentos, mexer nas regras do arrendamento e apostar na iniciativa privada, com garantias públicas à mistura, para destravar a oferta. Os adversários contrapuseram que a habitação é um problema concreto, estrutural e social, que não se resolve apenas com mais mercado. Pelo meio, a transição ambiental, o preço dos veículos elétricos, as políticas fiscais de Fernando Medina e Miguel Montenegro, o papel dos municípios e as dúvidas sobre os efeitos reais das medidas, entre promessas de estímulo à construção e o receio de que o tempo político se esgote antes de a casa estar pronta.