Sessenta reuniões. Quarenta pontos por consensualizar. Um pacote laboral chumbado. E foi preciso um comediante com microfone para fazer o que meses de concertação social não conseguiram: sentar Armindo Monteiro, da CIP, e Mário Mourão, da UGT, à mesma mesa sem que ninguém saísse pela janela. O resultado? Um acordo histórico. Sobre o Benfica. Entre uma defesa apaixonada do 15.º mês sem IRS, uma comparação entre trabalhadores portugueses e jogadores da seleção nacional, e a revelação de que 920 euros de salário mínimo custam afinal 1.440 euros à empresa — "mas levam para casa 880, faz as contas" —, patrões e sindicatos descobriram que a produtividade portuguesa vale 29 euros à hora, que os jovens fogem para a Alemanha com razão, e que os sindicatos talvez precisem de fazer campanhas como "as grandes superfícies" para cativar associados que recusam descontos por medo do patrão. A CGTP não foi convidada. "Sempre a resmungar", justificou o anfitrião, fiel ao espírito do governo que o inspirou.

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