A inteligência artificial vai matar-nos a todos — mas provavelmente vai ficar bloqueada num pedido de licenciamento ambiental em Sines antes de chegar a Portugal. Esta é, em resumo, a grande conclusão do mais recente episódio do Isto é Gozar Com Quem Trabalha, com a precisão de quem usa uma Bimby para fazer bechamel há dez anos. O Dr. Bernardo Caldas, especialista em dados e inteligência artificial, veio tranquilizar a audiência e, num exercício notável de consistência, não tranquilizou ninguém. Confirmou que os modelos de IA não percebem muito bem o que lhes pedimos, que podem entrar na nossa infraestrutura energética por acidente, e que a Amália — a IA portuguesa — é uma "peça histórica" que não deveria, em circunstância alguma, ter acesso às Forças Armadas. No meio disto tudo, ainda houve tempo para descobrir que os emails já não os escreve ninguém, que a IA elogia-nos mais do que as nossas famílias, e que a burocracia europeia pode ser, afinal, a nossa última linha de defesa contra o apocalipse.

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