A expressão "do transe à vertigem", que dá título ao novo livro de Rodrigo Nunes, professor de filosofia da PUC-Rio, tem dois sentidos.
O primeiro faz referência às representações da derrota da esquerda em dois momentos históricos: o golpe de 1964 em "Terra em Transe", de Glauber Rocha, e o impeachment em 2016 no documentário "Democracia em Vertigem", de Petra Costa.
No segundo sentido, "transe" sintetiza o estado de negacionismo e sofrimento psíquico criado pela extrema direita, e "vertigem" aponta que as crises do presente são sintomas de problemas muito mais profundos.
O autor afirma que o realismo do que é possível fazer ignora o realismo do que é preciso fazer, mas, apesar das constantes frustrações do pragmatismo do passado, forjado em tempos de consenso neoliberal, governos continuam dobrando a aposta nas mesmas fórmulas.
Para se aprofundar
Rodrigo Nunes indica
"Cruel Optimism", livro de Lauren Berlant publicado em 2011
"Nas Ruínas do Neoliberalismo" (2019) e "Undoing the Demos" (2017), de Wendy Brown
"Coming Up Short", livro de Jennifer Silva publicado em 2013
Eduardo Sombini indica

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