Exu, cultuado nas encruzilhadas, lugar de encontros e desencontros, é ele mesmo uma expressão das trocas entre as culturas africanas, americanas e europeias que moldaram o Brasil. Mais que isso, diz o antropólogo Vagner Gonçalves da Silva, professor da USP, é uma das melhores metáforas para pensar traços da formação brasileira.
Associado à boemia, à malandragem e à sexualidade —o falo proeminente é uma das suas marcas—, Exu passou a ser uma das referências na construção de uma ideia de brasilidade e sua presença na produção artística do país se multiplicou.
Autor de "Exu: um Deus Afro-atlântico no Brasil", o antropólogo discute a demonização de Exu pelos colonizadores europeus e argumenta que os terreiros foram o epicentro da formação da civilização brasileira.
Para ele, as religiões afro-brasileiras colocaram em contato diferentes grupos sociais e as mitologias de Exu, guardião da ordem mas também promotor da desordem, podem inspirar as lutas políticas e sociais de hoje.

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