Marilena Chaui: Jovens enxergaram futuro sob a extrema direita e garantiram virada de Lula

 

Existe um debate essencial a ser travado hoje, defende Marilena Chaui, 85: a luta contra um novo tipo de totalitarismo, o neoliberal.

Neste episódio, a professora emérita da FFLCH-USP diz que o neoliberalismo tenta transformar todas as instituições sociais em empresas, além de reduzir as pessoas a empresárias de si mesmas, empobrecendo a nossa existência. Para ela, como a extrema direita está enraizada nessa ideologia, os dois combates precisam se combinar.

Chaui é conhecida por repetir o quanto odeia a classe média e diz aqui que essa é uma das coisas que passou a vida fazendo. A filósofa vê a classe média, em uma chave marxista, como a correia de transmissão dos valores que garantem o privilégio da burguesia e a dominação dos trabalhadores —daí tanto horror.

Esses temas são discutidos no livro "Democracia e Populismo", que também tem ensaios sobre as raízes do autoritarismo brasileiro e a subjetividade depressiva e narcisista do mundo digital.

Na entrevista, Chaui esboça uma interpretação da vitória de Lula (PT) no segundo turno, que ela atribui a uma avalanche de jovens que tomaram as ruas do país por perceber tanto os riscos da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) quanto os contornos do futuro do Brasil sob a extrema direita.

A autora também aborda a fuga do candidato derrotado, que, para ela, não surpreende considerando a trajetória da família e a proximidade dos Bolsonaro com o universo da ilegalidade.

  • Produção e apresentação: Eduardo Sombini
  • Edição de som: Jéssica Cruz