No episódio do podcast Geração 60, gravado ao vivo no Tribeca Film Festival em Lisboa, Conceição Lino conversa com Luísa Cruz e José Raposo sobre infância, liberdade, arte e envelhecimento. Ambos recordam as origens e o impacto do 25 de Abril nas suas vidas, revelando como o teatro se torna um espaço de descoberta e de emancipação. Os atores partilham memórias de infância e refletem sobre o poder transformador da arte, a importância da empatia e o papel do riso como resistência. José Raposo vê a representação como um ato de amor e partilha, uma forma de estar no mundo que exige entrega e empatia. Luísa Cruz acrescenta que o trabalho do ator é um exercício de esquizofrenia controlada, uma fusão entre verdade e ilusão que só é possível se mantiver viva a criança interior. Para ambos, a criatividade nasce da inocência e da curiosidade. Nesta conversa com público, discutem as mudanças sociais e tecnológicas em Portugal, a perda de proximidade humana e o crescimento dos extremismos, e falam das famílias, da passagem do tempo e da forma como o palco os mantém vivos e curiosos.

Fernanda de Almeida Pinheiro: “A minha avó Maria Eugénia nem apelidos tinha. As mulheres não tinham um para além do nome próprio. Era sempre Maria. Todas as mulheres da minha família têm o nome de Maria, mas não um apelido”
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Miguel Monjardino: “Fomos muito educados à mesa, havia muita conversa, não havia telemóveis, não havia televisão. Só tive televisão aos 14 anos, pertenci a uma sociedade que se educava através dos livros e da palavra escrita”
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Nini Andrade Silva: “É uma honra Portugal ter-me convidado para escolher tudo o que vamos levar para a semana do Design de Paris. Faz-me pensar que comecei há 40 anos quando o design ainda não era nada e agora estamos a dar a volta ao mundo”
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