Nasceu em 1962 nos Açores, recorda a infância passada numa ilha. Cresceu rodeado de livros e conversas profundas, e foi marcado pela influência distinta dos pais, uma mãe mais artística e um pai ligado às ciências sociais. Desde cedo, aprendeu o valor da palavra, da leitura e da curiosidade, elementos que moldaram o seu percurso intelectual. As refeições em família, regadas com discussões em francês e sem distrações tecnológicas, foram verdadeiras aulas de formação cívica e cultural. A infância e adolescência em Angra do Heroísmo, apesar da insularidade, nunca foram limitadoras. Pelo contrário, o contacto com os Estados Unidos e a influência cultural da Base das Lajes despertaram-lhe uma visão mais cosmopolita do mundo. A experiência nos EUA aos 16 anos foi transformadora e solidificou a sua vontade de estudar e viver no estrangeiro. Lisboa, quando chegou, pareceu-lhe cinzenta e fechada, um contraste abrupto com aquilo a que já tinha acesso fora de Portugal. Percorreu universidades em Inglaterra e nos Estados Unidos antes de regressar à sua ilha. Foi jornalista, analista político e académico, sempre guiado pela convicção de que só é possível interpretar o presente com um profundo conhecimento do passado. Essa visão está na base da “República das Letras”, um programa que criou para ensinar jovens a pensar criticamente, combinando caminhadas físicas na natureza com leituras dos clássicos gregos. Crítico da superficialidade da cultura digital e da desvalorização das humanidades, defende que a História, a Literatura e a Filosofia são essenciais para formar cidadãos informados e capazes de reagir aos desafios do mundo atual. Com uma visão clara das transições históricas em curso, alerta para o risco da desordem, do populismo e da erosão institucional, mas acredita que o sistema democrático ainda tem energia para se reinventar. Apesar de ver um futuro turbulento, mantém uma nota de otimismo: acredita no poder da educação, da memória histórica e da renovação geracional para enfrentar os tempos difíceis. Aponta como essencial o diálogo entre gerações e a escuta atenta das comunidades fora dos centros urbanos. É na conjugação entre conhecimento clássico, experiência vivida e ação política informada que poderá surgir uma nova ordem mais justa e resiliente, conta Miguel Monjardino a Conceição Lino, neste episódio do podcast Geração 60.

Especial ao vivo no Tribeca com Luísa Cruz e José Raposo: “Conhecemo-nos na banda. Era esta senhora ainda uma moçoila”
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Fernanda de Almeida Pinheiro: “A minha avó Maria Eugénia nem apelidos tinha. As mulheres não tinham um para além do nome próprio. Era sempre Maria. Todas as mulheres da minha família têm o nome de Maria, mas não um apelido”
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Nini Andrade Silva: “É uma honra Portugal ter-me convidado para escolher tudo o que vamos levar para a semana do Design de Paris. Faz-me pensar que comecei há 40 anos quando o design ainda não era nada e agora estamos a dar a volta ao mundo”
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