Uma geração inteira olha para o preço das casas em Lisboa e no país, como quem olha para uma montanha sem trilho: a salários que mal sobem, rendas que não perdoam e um mercado onde comprar é, para muitos jovens, uma miragem. Num debate com vários intervenientes, a conversa gira em torno do mesmo nó: a habitação como o grande problema intergeracional português. Fala-se de precariedade laboral, de salários mínimos que não acompanham a inflação, do peso da troika e da emigração qualificada, de um mercado com prémios especulativos que fazem da casa um luxo, e de políticas públicas que, no entender de alguns, falharam em estimular a construção e o investimento. Não há consenso nas soluções, mas há uma certeza partilhada: sem casa, não há projeto de vida, nem família, nem país que segure os seus jovens.



