Foi já depois dos quarenta anos, quando uma doença a deixou a pensar na morte, que Judite Canha Fernandes decidiu largar a estabilidade que tinha, dar um salto de fé e começar do zero, para viver da escrita. Desde aí, tem publicado poesia, ficção e peças de teatro e passou a ser uma das novas vozes da literatura portuguesa a ter debaixo de olho. O seu romance de estreia “Um passo para Sul” foi logo distinguido com o Prémio Agustina Bessa-Luís em 2018 e o livro de poesia “O mais difícil do capitalismo é encontrar o sítio onde pôr as bombas” foi semi finalista no Prémio Oceanos em 2018. Judite afirma que tem muitos livros na cabeça, que o tempo lhe falta para os escrever, mas alerta para a importância do descanso e do ócio. “Com o capitalismo, andamos a esquecer-nos do ócio.” Ouçam-na nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça

Vera Iaconelli (parte 2): “Ao espelho vejo uma mulher velha, mas não sou anacrónica. Acompanho este tempo, com uma vida sexual e desejante”
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Vera Iaconelli (parte 1): “Interesso-me pelo inconsciente, pela bizarrice, pelo disruptivo, pelos fios soltos e pela falha. É onde aparece a verdade”
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Marco Martins (2ª parte): “Gosto da falha, desde que não venha da preguiça. Há grandes obras de arte que nascem de falhas. No cinema diz-se ‘o erro belo’”
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